Dicionário de MATERIAIS

Imaginem-se com um caldeirão mágico onde podem à vez deitar ingredientes especiais… aliciante, certo? Agora imaginem que podem fazer isso com fios para panos… ainda mais aliciante… encontrar a quantidade perfeita para um pano surpreendente: com elasticidade diagonal q.b., resistência média, balanço perfeito…… UAU!! Já imaginaram as possibilidades imensas de misturar estes ingredientes todos e CRIAR as vossas misturas?!!? Bom… eu consigo imaginar!
Mas o mundo das fibras é algo imenso; as possibilidades são inúmeras e os resultados também. Os resultados e a busca por essa blend (mistura) perfeita é o que motiva as marcas, e se de algum modo os preços vão aumentando, a qualidade dos materiais e o desempenho dos mesmos também! Eu também queria ter um caldeirão mágico!!!

Mas agora, mãos à obra: de modo geral, uma fibra pode ser natural ou artificial; dentro das fibras naturais temos as de origem animal, vegetal e mineral (o Amianto) e dentro das criadas pelo homem as regeneradas (o Rayon ou Viscose), as semi-sintéticas e as sintéticas. Dentro das fibras sintéticas temos ainda as minerais e as polímeras.
São Fibras Naturais Vegetais o Abacá, o Bambu, o Algodão, o Linho, o Cânhamo, a Juta, o Kapok, o Kenaf, o Ananás, o Pinho, a Ráfia, o Ratan, o Sisal e a Madeira entre outras.
São Fibras Naturais de origem Animal a Alpaca, a Angorá, o Camelo, a Caxemira, o Guanaco, o Mohair, a Pashmina, o Quivit, a Seda, a Lã, a Vicunha e o Iaque entre outras.
São Fibras Semi-sintéticas, criadas pelo homem, o Acetato, o Lyocell, o Modal ou o Triacetato.
Por fim dentro das fibras desenvolvidas pelo homem de origem sintética temos o Vidro, o Carbono e o Basalto (de origem mineral) . A Acrílica, a Aramida (Kevlar, Nomex, Technora) a Microfibra, o Modacril, o Nylon, o Poliéster, o Spandex, o Zylon, o Vinylon ou o Vinyon são de origem polímera.

Já estão fartos de ler?!?! Ahahahaha! Calma! Isto ajuda a perceber que muitas vezes as blends não são unicamente de origem animal ou de origem vegetal; um tri-blend ou um quad-blend pode ter elementos de quase todos os grupos para ser assim o mais fantástico dos fantásticos!! Agora imaginem que tinham estes materiais todos disponíveis para criar um pano… era a loucura, certo?

Bom, e agora não precisam de ler tudo. Mas venham aqui consultar de cada vez que vos aparecer uma daquelas siglas tipo ELS ou Kapok ou Rayon!

Como este é um texto que dá MUITO trabalho, vamos introduzindo os materiais a seu tempo! E não vamos traduzir.


A

ABACÁ – ou Cânhamo de Manila, é proveniente da fibra da Musa Textilis (uma espécie de bananeira). Muito muito muito resistente. Especialmente utilizada na confeção de cabos náuticos. Atualmente é usada sobretudo para fazer o papel das saquetas de chá, papel de filtro e cigarros.

ALGODÃO – originária da Índia, do Egito e da Espanha, esta fibra têxtil é proveniente da cápsula da semente do algodoeiro (planta da família das Malváceas que chega a atingir os 2 metros de altura). Estas cápsulas são colhidas entre 40 a 70 dias depois da sua formação e depois de separadas as fibras do “caroço”, estas podem ser cardadas ou penteadas antes de serem fiadas em fio. Apesar de haver uma enorme variedade de plantas do algodão, apenas 4 espécies abastecem os mercados. O algodão é uma fibra com muito pouca ou nenhum elasticidade e tende a ser mais pesado que as fibras animais.

ALGODÃO BIOLÓGICO – (vide Algodão Orgânico)

ALGODÃO CARDADO – quando as fibras do algodão não são colocadas paralelamente por tamanhos mas de forma aleatória.  É um processo menos dispendioso e que também produz um fio mais “tosco” e frágil. O algodão que usamos em cosmética ou nos cotonetes é um exemplo de algodão cardado, assim como  os lençóis de flanela.

ALGODÃO EGÍPCIO – não é melhor, mais suave ou mais forte, mas é do Egípto… e o que é que isto significa? Significa que desde o século XIX se reconhece o Egípto como sendo produtor de um algodão com fio mais longo ou extra-longo mas que no mercado mundial apenas atinge uma cota de 2,5%! É uma espécie de DOP – Denominação de Origem Protegida – das fibras. Quanto mais longa a fibra, mais forte liso e sedoso será o fio produzido. É apenas um selo comercial: nem todo o fio longo é produzido no Egípto e nem só fio longo se cultiva no país!

ALGODÃO EGÍPCIO DE FIO LONGO – (vide Algodão Egípcio)

ALGODÃO MERCERIZADO (PERLÉ) – tratamento dado ao algodão (e outros fios de origem celulósica) que confere um ar lustroso e brilhante e uma resistência maior à fibra. A mercerização altera a estrutura química da fibra e garante uma maior resistência ao mofo e uma maior capacidade de tingimento. O algodão de fio longo reage melhor a este processo e usa-se especialmente na criação de fio para crochet.

ALGODÃO ORGÂNICO – quando proveniente de plantas sem modificações genéticas e sem recorrer ao uso de fertilizantes e pesticidas sintéticos. Tem um brilho e um toque muito característico sendo mais macio e encorpado.

ALGODÃO ORGÂNICO PENTEADO – (vide Algodão Orgânico. vide Algodão Penteado)

ALGODÃO PENTEADO – quando as fibras são literalmente penteadas para serem limpas de impurezas e alongadas de forma a atingirem comprimentos aproximados para fiação.

ALGODÃO PIMA (ELS – EXTRA-LONG STAPLE) – nome genérico para algodão de fio extra-longo que se cultiva nos EUA, Austrália, Israel, Peru e de forma muito limitada em outras zonas do globo. Este algodão tem as sua origens no famoso algodão de Sea Island que era produzido no sudoeste dos EUA no séc. XVIII. Esse algodão foi depois cruzado com algodão Egípcio para produzir o contemporâneo ELS.

ALGODÃO SUPIMA – no início de 1900, uma espécie de algodão primium de fibra extra-longa começou a ser cultivado no Arizona (EUA). O nome algodão Egípcio-Americano foi alterado para “Pima” de modo a honrar os Índios Pima que tinham os seus campos de algodão nessa zona. Este tipo de algodão americano veio depois a ser registado com o nome Supima (Pima Superior). Este selo de garantia consegue-se graças a uma organização de produtores e uma fiscalização muito apertada. Só pode produzir e vender este tipo de algodão quem tiver licença da Organização Supima. Alguns factos interessantes sobre este tipo de algodão: sob tenção têm muito maior resistência, custa o dobro do preço (por ser premium e mais caro de produzir), é 35% mais longo e 45% mais forte (quando comparado com outros algodões de fio longo) e menos de 1% do algodão produzido a nível mundial e 3% do algodão produzido nos EUA pode ser chamado SUPIMA. Interessante, não é?!

ALGODÃO DE SEA ISLAND – a colonização tem destas coisas e foi graças a ela que em 1756 se começou a produzir nas ilhas costeiras à Geórgia e Carolina do Norte (EUA – Sea Island) o algodão  com origem em sementes vindas dos Barbados; um algodão de fio longo e fino e extremamente suave.


B

BAMBU – fibra 100%natural, resultante de um processo produtivo ecológico e livre de substâncias nocivas para o meio ambiente. É muito bom na gestão de humidade (portanto bom para climas quentes e tropicais) e é totalmente biodegradável. Tem uma textura muito suave, sendo por isso um tecido que oferece grande conforto.


C

CÂNHAMO – fibra proveniente da Cannabis, é utilizado na industria têxtil, do papel, das cordas e até alimentar. As plantas utilizadas para fabrico industrial estão sujeitas a legislação e têm baixos níveis de THC ou estão totalmente isentas do psicoativo TetraHidroCannabiol. A produção de “linho” de cânhamo (linho por ser muito similar em termos de extração do caule da planta e produção da fibra) foi autorizada na Europa em 1998. Os maiores produtores a nível mundial são a China, a França e o Chile. O cânhamo é 5 vezes mais resistente que o algodão e quando molhado incha e os tecidos tornam-se mais compactos e resistentes.


D


E


F


G

GOTS – Certificação atribuída pela Global Organic Textile Standard (GOTS), normalizadora líder mundial em têxteis feitos de fibras orgânicas com critérios ecológicos e sociais de nível muito elevado, independente da cadeia de distribuição. Esta certificação apenas é atribuída quando os produtos contenham um mínimo de 70% de fibras orgânicas (no caso de produtos com a indicação “fabricado a partir de materiais orgânicos”) ou 95% (no caso de produtos com a indicação “produto orgânico”). Os requisitos que asseguram o estado orgânico dos têxteis é definido desde a colheita da matéria-prima, através da responsabilidade ambiental e social. Esta é uma forma para um entendimento comum internacional relativamente aos sistemas de produção amigos do ambiente no sector têxtil orgânico.


H


I


J


K


L

LÃ –

LÃ DE MERINO –

LÃ DE MERINO EXTRA FINA –

LINHO –

LYOCEL – (vide Rayon)


M

MODAL – (vide Rayon). As caraterísticas mais distintas desta fibra são a sua resistência quando molhada e a sua suavidade extraordinária. É conhecida como a fibra mais macia do mundo e por isso ideal na produção de roupa interior e “segundas peles”. Devido à sua elevada resistência à humidade, o Modal pode ser lavado e seco na máquina. Estas fibras são dimensionalmente estáveis e não encolhem ou perdem a forma quando molhadas como outros tipos de rayon. É uma fibra forte e muito resistente ao desgaste, mantendo no entanto uma sensação suave e sedosa. Mesmo após repetidas lavagens, o Modal permanece absorvente, suave e flexível graças à superfície lisa da mesma que impossibilita o depósito de minerais na fibra. As cores no Modal permanecem tipicamente brilhantes e fortes.


N


O


P


Q


R

RAYON – A falsa seda! Simplificando? É a regeneração química das fibras vegetais da celulose (da polpa da madeira). É portanto uma fibra semi-sintética por ter origem natural mas ser quimicamente alterada. A Viscose, o Modal e o Lyocel são tipos de Rayon resultantes também de processos químicos mas com qualidades e propriedade diferentes na fibra finalizada.


S

SEACELL – é uma fibra de celulose que se consegue através da combinação, no seu processo de fabrico, do Lyocell com extractos de algas marinhas.
Existem duas versões desta fibra com propriedades distintas. SeaCell Pure (mantêm inalterados os efeitos e propriedades das algas marinhas) e SeaCell Active, (SeaCell associada à prata, reputada pelas suas propriedades bacteriológicas). Estas fibras detém na sua estrutura propriedades bioactivas que previnem a multiplicação de bactérias, e são portanto uma importante arma contra as alergias.
Os ingredientes ativos das algas, existentes nas fibras Seacell são benéficos para a saúde e serão libertados para o corpo através do contacto com a pele.
A estrutura porosa e aberta da fibra SeaCell facilita a absorção e a libertação da humidade para o exterior e, assim, a interação desejada entre a fibra e a pele. As substâncias ativas que promovem efeitos saudáveis permanecem na fibra Seacell mesmo após lavagens frequentes.

SEDA DE BOURETTE –

SEDE DE TUSSAH –


T

TENCEL – (vide Lyocel). É uma fibra semi-sintética porque apesar de ser extraída da celulose (madeira do eucalipto) é manipulada industrialmente. É 100% biodegradável. É uma matéria prima de rápido crescimento e manutenção e sem manipulações genéticas. O processo de produção foi construído de tal forma que o solvente utilizado na produção do Tencel é continuamente reutilizado, fazendo parte de um processo todo ele amigo do ambiente. É comum afirmar que o Tencel é suave como a Seda, forte como o Poliéster, fresco como o Linho e tão absorvente como o Algodão.


U


V

VISCOSE – (vide Rayon)


W


X


Y


Z

5 thoughts on “Dicionário de MATERIAIS

  1. Adorei o dicionário. Seria ótimo se ao lado do nome em português tivesse o nome em inglês, pois fiquei um pouco confusa já que tenho o hábito de ver os nomes em inglês nos grupos internacionais. Muito bom trabalho! Parabéns

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