DESCONSTRUÇÃO

Ola!!
Saudades minhas?!?!
Eu tenho.
Saudades vossas.
Saudades de escrever.
Saudades de carregar.
Mas sobretudo saudades de exorcizar algumas coisas que o “pano meu” me ajudava a racionalizar!!
Vim pedir uma abébia às meninas que agora mandam no “tasco”, porque precisava de partilhar algumas considerações…

Quem me leu durante mais de um ano, soube sempre que eu nunca quis ser consultora.
Eu nunca precisei.
Sempre me fez confusão que se queira ser consultora para aprender a carregar (quando é para isso que existem as consultoras)… ou que se queira ser consultora para fazer uns trocos rápidos… ou simplesmente porque agora toda a gente é, e fica bem no currículo*…

Pronto… lá estás tu com as tuas generalizações que magoam as pessoas.

É verdade e peço desculpa, não é de todo o meu intuito. Mas estas situações existem efetivamente. Pessoas que acham que têm que ser consultoras para poderem carregar os seus filhos. Pessoas com má formação pessoal que só pensam em dinheiro. Pessoas que gostam de colecionar formações (no grupo onde eu me incluo!).
Acho que para se ser, efetivamente, alguma coisa na vida (independentemente do que for) tem que existir uma necessidade e um propósito; e efetivamente, eu nunca precisei de ser consultora para escrever e analisar os panos q me passaram pelas mãos, até porque sempre foi uma formulação muito subjetiva!
Obvio que sempre que cuspo para o ar… acaba por me cair pela testa abaixo e senti há tempos a real necessidade de “ser” consultora.
Quando a nossa experiência pessoal no ato de carregar se transforma num sentimento de impotência e quando questionamos:
Será que isto que digo é suficiente?
Será que estou a fazer bem?
Será que o que eu disse a esta mãe ou pai está correto??

Naturalmente, se me questiono, gosto de ter respostas e neste caso, eu precisava de aprender a ensinar a carregar.
Meti perninhas ao caminho, depois de analisar a imensa (e muito boa) oferta que existe no mercado e escolhi aquela que considerava há mais de um ano como a escolha que me fazia sentido, pelas minha próprias características enquanto aluna…
Fui munida de pernas, braços e uma mente segura que carregava bem há mais de dois anos, com experiência e conhecimentos, não tivesse eu já passado a palavra a tantos outros pais e ajudado tanta gente.

Ó santa ignorância.

Ó santa inocência.

Foram 4 dias intensos.
Muito intensos.
Quatro dias que me levaram a várias conclusões.
Eu tive 3 filhos, mas não sei segurar num bebe.
Eu carreguei durante dois anos em pano e não sei fazer nós.
Eu meto os meus 3 filhos às costas, mas se alguém me pedir neste momento como se faz um ruck…. eu não sei explicar.

Tas a gozar!??!! Então mas tu não foste para aprender???

Pois… diz que sim…
Eu fui e aprendi tanto sobre mim própria.
Sobre a falta de humildade que todos temos quando acusamos os pais que carregam de forma ergonómica ou não.
Quando fazemos juízos de valor sobre bebes carregados de forma menos comum, sem conhecermos a historia daquela família e quanto daquele discurso se possa tornar numa atitude destrutiva para aquela família.
Quando pura e simplesmente criamos mitos que levam a gastos desnecessários.
Quando afinal, a única coisa que devíamos dizer era: O bebe está seguro? Tu estás confortável?! Então… carrega em paz. Não estás? Então vamos trabalhar juntos.
Sem juízos de valor.
Sem fanatismos.
Pelo colo.
Pela nossa saúde mental.
Pela nossa saúde física.
Pela nossa saúde emocional.
Foi sobretudo isso que aprendi em 4 dias muito intensos e destrutivos.

Destrutivos????

Sim. Destruíram a arrogância que eu tinha no carregar, todas as minhas certezas e todas as minhas manias e vícios. Reduziram o processo a 4 passes e disseram-me: carregar não tem nada a ver com os panos. Carregar é colo. Carregar é dar amor. Carregar é pegar no nosso filho em braços. Carregar é tudo isso. Mas não é a pomposa palavra BABYWEARING.
Nós complicámos o ato de carregar e transformámo-lo em babywearing. De uma forma irracional, tornamo-lo político quando defendemos as posturas mais ou menos rígidas das escolas. Quando condenámos alguém porque carrega num carregador de base estreita e quando assumimos que temos todas as certezas, ou quando pegamos nos FFF nos WWW nos CCC e os utilizamos para esmagar a simplicidade de carregar um bebe.

Que raio… mas afinal, és consultora ou não?!?!

Depende.
Até porque nem eu sei por onde começar depois de terem abalado todas as minhas fundações!
Sinto que me deram uma caixa de ferramentas simples, básicas e diretas, com nomes simples, básicos e diretos, que me permitem carregar o meu filho de forma simples, básica e direta! Que me deram referências imensas. Que limparam a minha mente de preconceitos… e que agora eu tenho que ir à procura dos melhores materiais para construir a minha bancada de trabalho. Para um dia conseguir criar as minhas próprias peças.
Como eu dizia à minha companheira de caminhada: é como se te derem um par de luvas e disserem: toma lá, agora faz um parto.
E nós temos que construir esse caminhada. Reconstruir-nos do nada, para podermos dar o nosso melhor, sem artifícios, sem julgamentos, com a preocupação única naquelas pessoas que estão ali a pedir-nos a única coisa que nós devemos dar: COLO.

E eu ainda não sei pegar nas minhas ferramentas!

*se, mais uma vez, alguém sentir que estou a ser generalista nas minhas afirmações, relembro que este é um artigo de OPINIÃO e que não pretendo julgar ninguém. Este texto é uma partilha de um sentimento e de uma experiência PESSOAL

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Elisabete Muga

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